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    <title>Língua de Camões, Pensamentos de Werneck</title>
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    <description>Sejam bem vindos! &lt;br/&gt;</description>
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      <title>Bubble Shoter: o jogo online mais viciante de todos</title>
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      <pubDate>Sun, 23 Aug 2009 10:43:26 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.viniciuswerneck.com/Vinicius_Werneck/Textos/Entradas/2009/8/23_Bubble_Shoter__o_jogo_online_mais_viciante_de_todos_files/bubble%20shoter.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.viniciuswerneck.com/Vinicius_Werneck/Textos/Media/object005_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:164px; height:123px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;A regra é fácil de compreender. Você tem que atirar a bolinha na massa de outras bolinhas que está acima. Quando você juntar 3 ou mais da mesma cor, elas desaparecem. Cuidado para não clicar do lado direito do tabuleiro! Ali tem um link pro site do desenvolvedor do aplicativo, e você acabará zerando seu placar!&lt;br/&gt;Sim, sim! É um jogo online, gratuito ! De graça! Free! E viciante. Mas tenho que estudar! xD&lt;br/&gt;</description>
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      <title>A negação da política</title>
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      <pubDate>Sat, 15 Aug 2009 00:38:13 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.viniciuswerneck.com/Vinicius_Werneck/Textos/Entradas/2009/8/15_A_negacao_da_politica_files/citizens_rights.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.viniciuswerneck.com/Vinicius_Werneck/Textos/Media/object006.png&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:251px; height:188px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Muita coisa aconteceu entre a famosa frase de Aristóteles configurando o homem como um animal político (politikon zoon) e os recorrentes estudos científicos que tentam explicar a descrença generalizada com relação à política. Em muitos contextos, conversar sobre política proporciona interessantes contrações faciais nos ouvintes, sutilmente desaprovando a emergência de tão desagradável tópico.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Ter um filho político tornou-se algo que algumas famílias procurariam esconder. Nas recentes pesquisas acadêmicas têm-se notado um fenômeno interessante: além dos clássicos personagens frequentemente encarnados pelos candidatos - o gerente, o pai de família, o zeloso, o self-made man -, criou-se a figura do técnico. A característica mais notável dessa persona  encontra-se no fato que ele se considera livre de qualquer politicidade. O candidato escolhe para si a imagem da frieza técnica, de alguém que encontra um problema e sabe o que fazer para consertá-lo. Chega ao extremo de dizer que não é político nem pretende sê-lo, como se a política fosse o lugar que deve ser negado.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Negar o reino da política não é uma postura sem prejuízos: ela favorece uma lógica perversa, que, por vezes, afasta da participação aqueles realmente interessados no bem comum. Cada cidadão que abdica da participação política por considera-la improdutiva ou mesmo negativa, certamente está tornando mais fácil o caminho para aqueles que se aventuram na política institucional para favorecimento próprio. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Participamos da política diariamente, sem percebermos. Estamos atuando politicamente quando nos relacionamos com os vizinhos, quando decidimos saber ou não o nome do porteiro, quando enviamos um telegrama a uma família conhecida que acabou de enterrar um dos parentes. Somos políticos quando precisamos resolver como organizar o almoço de arrecadação de fundos de uma igreja - ou quando queremos justamente impedir que alguém se case na igreja. Somos políticos quando conversamos em família para decidir onde serão passadas as próximas férias - e também o somos quando decidimos unilateralmente e notificamos os demais familiares.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Política, não sem motivo, vem da raiz polis, que significava cidade na antiga grécia. Foi após a formação das cidades - à época unidades com grande autonomia - que surgiu também o conceito polites (cidadão). As palavras inglesas politics, policy e police têm todas a mesma origem grega no termo polis. A língua portuguesa traduz politics e policy em apenas uma palavra: política. Quando dizemos “qual a política do condomínio em relação a animais?” estamos nos referindo a policy (também usado na expressão “políticas públicas”). Quando falamos sobre política como a ciência de governar (Aristóteles), ou mesmo em um sentido mais amplo, que envolva as atitudes cotidianas dos cidadãos comuns, estamos utilizando o conceito politics. Police, contemporaneamente traduzido como polícia, foi, durante um tempo, intercambeável com o termo policy. Manter a ordem era afinal, uma política pública, e essa política (policy/police) ia para a rua tomar forma.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;E o que não é a política, se não nossa prática de convivência diária na polis? Considerar-se alheio ao processo político - além de pouco produtivo para a melhoria das condições coletivas - é também uma ação política. É uma ação política, por que possui resultados coletivos, implicações amplas e é, em última instância, exercício de liberdade individual. Não é necessário que todos se obriguem a participar da política partidária, mas certamente demonizar essa ou qualquer esfera da práxis política só favorece aos espertos interessados em garantir tranquilidade financeira às custas do erário público.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Mitos como o de se autopropalar apolítico ou não-ideológico são muitas vezes favoráveis à manutenção do status quo. Gramsci citava constantemente uma frase de Marx, defendendo que “a teoria se transforma em poder material tão logo se apodera das massas”. Independente de qualquer juízo de valor sobre as teses gramscianas, é bastante consensual que conhecimento tem grandes conexões com poder. Manter a população minimamente satisfeita é uma estratégia utilizada em Roma (Panis et circenses), propagada por Maquiavel (“O Príncipe”), denunciada por Florestan Fernandes (“Sociedade de classes e subdesenvolvimento”), analisada por Robert Dahl (“Poliarquia”) ad aeternum. Isso não impediu que o século XXI fosse um espectador da mesma forma ingênua de dominação de poucos sobre uma maioria.&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Perceber-se como um ser ideológico e político veste de legitimidade as posições individuais, mesmo aquelas de afastamento voluntário da participação política institucional. Se já é difícil decidir qual filme ver no cinema, quando a outra pessoa se recusa a opinar, imagine a complexidade de cuidar de um país inteiro, ou mesmo uma cidade ou condomínio. &lt;br/&gt;&lt;br/&gt;Churchill disse da democracia: “Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais.” Da mesma forma podemos dizer da política ou da ideologia: ninguém diz que a busca coletiva para o bem comum, o debate, a discussão de ideias ou a dialética são perfeitas ou sem defeito. São, talvez, as piores opções - depois de excluir todo o resto. Talvez uma alternativa ainda esteja por ser inventada. Mas, certamente, o inventor precisará da política, do debate e da dialética para convencer o resto do mundo que eles estão de costas na caverna de Platão.</description>
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      <title>O Almocreve - vídeo</title>
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      <pubDate>Thu, 13 Aug 2009 18:26:44 -0300</pubDate>
      <description>Machado de Assis é, sem dúvida, um dos mais importantes literatos da língua portuguesa. Dono de um estilo peculiar, inspirou - e continua inspirando - escritores do Brasil e de outros países lusófonos. No vídeo acima, acompanhem uma leitura - sem ensaio nem nada, tá? - de O ALMOCREVE, um trecho do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas.</description>
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      <title>A força da palavra:   a última entrevista de Rilke</title>
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      <pubDate>Sun, 5 Jul 2009 22:18:23 -0300</pubDate>
      <description>&lt;a href=&quot;http://www.viniciuswerneck.com/Vinicius_Werneck/Textos/Entradas/2009/7/5_A_forca_da_palavra__a_ultima_entrevista_de_Rilke_files/1695723_4.jpg&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://www.viniciuswerneck.com/Vinicius_Werneck/Textos/Media/object007_1.jpg&quot; style=&quot;float:left; padding-right:10px; padding-bottom:10px; width:182px; height:292px;&quot;/&gt;&lt;/a&gt;Para Angela, minha amiga, nova mentora e grande companheira de conversas.&lt;br/&gt;Suíça, 1924 – Um senhor mais baixo que eu me recebe com um sorriso que se divide entre melancólico e abrasivo. A sala em que este escritor me recebe é aconchegante, as paredes são altas e as janelas, enormes. Logo enxergo a mesa onde – a julgar pelo acúmulo de papéis jogados, a pena e o nanquim – o escritor se dedica aos últimos anos de seu ofício: viver.&lt;br/&gt;René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke, ou apenas Rainer Maria Rilke, nasceu em Praga, no final do ano de 1875. Já morou na Rússia, onde casou-se com uma discípula de Nietzsche, lançou poemas em Francês, e ficou famoso na América em um ritmo que ele mesmo já dissera antes não poder segurar. Além de um dos poetas mais importantes da literatura alemã – ainda que, infelizmente, sua obra tenha caído em desuso – Rilke é o escritor da obra “Cartas a um Jovem Poeta”, uma série de dez correspondências enviadas a um escritor neófito chamado Franz Kappus.&lt;br/&gt;As cartas de Rilke correram o mundo, não só por sua valiosa sinceridade em supostamente fornecer instruções fáceis para quem as lê, mas também por revelar a personalidade extremamente afável, ainda que complexa, de um dos poetas modernos do início do século XX. Na tarde que passei em sua casa, o senhor de olhar impreciso e distante falou sério sobre sua vida, sobre o amor, sobre escrever e sobre a inominável sensação inerente à todas as coisas. Jamais foi professoral em seus comentários, tampouco pedante. De fato, qualquer conselho dele mais soa como honesta divagação: algo de se esperar quando se lê – e, no meu caso, se ouve – Rilke.&lt;br/&gt;A entrevista durou cerca de uma hora e meia. Mais silencioso do que se poderia imaginar, Rilke não hesitou em ser abrangente e poético em suas respostas. Durante a conversa, sempre tentou esconder, desajeitadamente, um curativo que envolvia sua mão. Disse, previamente, que andava a colher rosas num jardim dos fundos de sua casa. Como vim a descobrir, não fora o primeiro nem o último ferimento por culpa das rosas.&lt;br/&gt;Apesar do olhar triste, cada frase sua era enviesada por um sorriso. Escritor solitário, foi menos assustador do que a previsão. Apesar de, nas “Cartas a um jovem poeta”, problematizar a criação literária como uma das mais complexas obras de arte, René Rilke – como era conhecido na universidade – foi acessível e simplório, se dispondo a responder as minhas perguntas e as perguntas de Vinicius Werneck, que sugeriu a entrevista.&lt;br/&gt;A ENTREVISTA&lt;br/&gt;Na Academia Militar de Wiener-Neustadt, René Rilke não passava de um garoto pálido, esguio, um perdedor nos esportes, e com o sonho confesso de ser poeta. Seu sonho foi posto em dúvida por professores, mas Rilke suportava com paciência a rigidez de disciplina da Academia. Na geração seguinte a Rilke, um professor chamado Horacek encontrou um jovem lendo um livro de poesias sob uma árvore. Ao confrontar o jovem – Franz Kappus – e tirar o livro das mãos dele, o professor não conseguiu esconder a surpresa: “Então o jovem René Rilke se tornou mesmo poeta?”. Foi a motivação que Kappus, um principiante na arte da escrita, precisava para submeter os próprios poemas ao julgamento de Rilke. Provavelmente, o jovem Kappus não tinha ideia da série de respostas que receberia, nem da importância delas. Se Rilke sabia? Esse foi o pontapé inicial da entrevista.&lt;br/&gt;Pelvini - “Cartas a um jovem poeta” me foi apresentado por uma professora que nunca me deu aulas, uma amiga de visões parecidas com as minhas. Ela disse, na época: “Rilke vai se tornar seu livro de cabeceira”, e tinha razão. Sobre os conselhos que lá escreveu, direcionados à Franz Kappus, o senhor achou que seriam válidos a outros escritores e leitores quando os escreveu? Rilke – Primariamente, devo dizer qual prazer é saber que minhas palavras ultrapassaram os limites do meu presente. É um poder de longevidade que somente a palavra escrita poderia alcançar, e sou muito grato por essa inimaginável força. Infelizmente não posso representá-las pelo tempo que quero, apenas pelo tempo que me resta. No entanto, a palavra sincera sobrevive a mim e a você, e cedo ou tarde toca o coração de alguém – e essa foi minha única intenção quando escrevi para o jovem Franz. Com as cartas, meu coração estava com ele. O fato de você estar aqui comigo prova que meu coração esteve com mais alguém. (risos) Eu fico infinitamente feliz de saber que serei lembrado pelo que escrevi. Quando escrevi para meu caro Kappus, porque ele assim requisitou, pensei: “Quem sou para aconselhar um escritor para que faça aquilo ou isso?”. Ora, o que escrevo não passa de reflexão de mim… Se servir para mais alguém, devo apenas ser grato. Muito grato.&lt;br/&gt;Pelvini – Gosto do discurso perseverante nas “Cartas a um jovem poeta”. No entanto, o senhor se recusa a criticar qualquer soneto que Kappus lhe enviar… Rilke - Devo ter soado pouco encorajador à época.&lt;br/&gt;(risos nervosos da minha parte)&lt;br/&gt;Pelvini – De forma alguma. Seu primeiro contato com Kappus mostra que, acima de tudo, o senhor é um escritor sincero. Acha que essa é a chave pra escrever? Rilke – É uma delas. Mas para escrever basta viver, e viver com paciência – não é o tipo de ofício que sucede de um dia para outro. Sim, a paciência é tudo.&lt;br/&gt;Pelvini – Há um escritor português muito famoso na minha época, chamado José Saramago. Ele disse que “somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não”. Rilke – Somos todos escritores. Os que não escrevem, porém, não o fazem por algum motivo. Como qualquer obra de arte, o que se escreve nasce de uma necessidade. Quanto mais sincera essa necessidade, mais belo será o resultado. E quando não há essa necessidade? Ora, então não há a boa obra de arte. Quem não escreve pode encontrar outra forma de se expressar. De todas, escrever é a forma mais difícil de expressão, porque exige coragem de enfrentar uma necessidade que é suprida apenas com a solidão.&lt;br/&gt;Pelvini – Há vantagem na solidão? Rilke – A solidão é amarga. Mas ela deve ser carregada com a queixosa harmonia humana. Porém, as respostas que queremos estão guardadas conosco, e o único acesso e único buscador somos nós. A jornada rumo à essência é feita solitariamente. Não há outra saída.&lt;br/&gt;Pelvini – Um pouco assustador. Mas percebo um certo orgulho, quando o senhor fala de solidão. É possível viver o amor quando se está sozinho? Melhor: existe o amor? Rilke – (Rilke olha pra mesa onde exerce seu ofício, enquanto acaricia a mão com o curativo. Suspira, reflete. Quando continua a falar, parece estar conversando diante para um espelho) Retomei, há pouco tempo, uma série de poesias que devo intitular “Elegias de Duíno”. Comecei-as dez anos atrás, imagine. Provavelmente serei julgado como um que enxerga no amor a infelicidade. Não: apenas o vejo como inalcançável. Felizmente, é possível acreditar naquilo que a gente nunca viu ou sentiu ou tocou. Logo, acredito que o amor existe, e que é possível senti-lo mesmo na pior das solidões.&lt;br/&gt;Pelvini – E o escritor iniciante? A que deve amar quando escreve? Rilke – Deve amar as coisas pequenas, amar o insignificante. O escritor, ou ainda, o homem que o fizer escreverá para sempre: o que ninguém vê pode se tornar grande, inexplicavelmente grande. Ao se amar o que é insignificante, tudo se torna mais fácil, pois se ganha a confiança do que é pequeno, do que é pouco. É reconciliador, talvez não para o intelecto e sim para consciência.&lt;br/&gt;Pelvini – E, além de amar a solidão… Rilke - …deve evitar escrever poesias sobre o amor. Pelo menos de início.&lt;br/&gt;Pelvini – Por quê? Rilke - Devem-se evitar as formas demasiado comuns de estilo, pois precisa-se de uma força grande e amadurecida para produzir algo de pessoal em um domínio que sobram tradições boas, brilhantes. Mas não é que nunca poderá fazê-lo. Apenas acho que um bom início vem sobre escrever do âmago das coisas, do por que se perde, por que se ganha, por que se escreve. Após viver essas perguntas, o escritor está preparado para falar de outras coisas, como o amor.&lt;br/&gt;Pelvini – Enquanto o senhor não tinha esse amadurecimento, onde buscava inspiração para o ofício? Rilke – Na ternura da natureza, que é infindável, nos meus artistas favoritos, como o escultor Auguste Rodin, que já não se encontra mais conosco e sobretudo em Jens Peter Jacobsen. Eu me lembro a primeira vez que li Niels Lyhne, obra máxima deste poeta, uma obra episódica de máxima beleza. Sim, os livros têm muito a oferecer no amadurecimento. Como eu bem dissera a Franz Kappus, deve-se devotar amor aos livros, porque este amor será retribuído mil vezes.&lt;br/&gt;Pelvini – Qual o melhor sentimento do mundo? Rilke – Grave pergunta para difícil resposta! Sobretudo após falar tanto de sentimentos que me são importantes! (Rilke olha em volta, pensativo, como se procurando alguma coisa que não está à vista) Ainda que inatingível, o amor é de uma beleza esplêndida, mas amargurada por sua isolação. Sentir-se só, em contrapartida, pode ser decisivo na concepção de certas coisas. Veja as obras de arte, solitárias, sem que uma palavra ou atitude possa alcançá-las ou defini-las. Ou seja, qualquer sentimento escolhido virá atrelado a características não tão agradáveis, ainda que necessárias. Mas existe essa sensação, inerente a todas as coisas, algo que as palavras não sentem e os sentimentos não expressam, um sentimento intangível, indescritível… Eu o chamaria de sentimento de existir. Provavelmente, o melhor do mundo.&lt;br/&gt;Pelvini – Como o senhor descreveria uma tarde de sol? Rilke – Já conheci muitos lugares na Europa, como um nômade. Tenho a vaga sensação que a Suíça é o último lugar que conhecerei, minha última moradia. Porém, cresci em Praga, estudei também em Munique e Berlim, morei na Rússia, em Paris, na Itália (inclusive foi ali, em um castelo chamado Duíno, onde iniciei minhas Elegias), na Suécia… Talvez seja minha velhice, mas tenho a impressão de já ter visto mais tardes de sol que qualquer outro. No entanto, nenhuma tarde de sol fora igual em qualquer lugar que me lembre. Descreveria uma tarde de sol como aquela que ainda não vi, a última que veria em vida. Estará o céu cheio de nuvens? Refletirá meu estado de espírito? O sol vai entrar pela janela e atingirá minha cama? Ainda: estarei na cama, de lá podendo assistir uma tarde de sol? (um silêncio longo toma a sala. Tento começar a última pergunta, mas Rilke estende a mão, pedindo-me para esperar.) Certa vez viajei para Bremen, acreditando que o silêncio e a vastidão do céu de lá fossem me curar das indisposições e cansaços dos dias anteriores. Agora estamos aqui, e você me pede para descrever uma tarde de sol apenas, e me sinto tentado em descrever a última que vou lembrar. Seja como for, que a última tarde de sol tenha o mesmo poder que as tardes de Bremen. Assim, fecharei os olhos com menos ansiedade.&lt;br/&gt;Pelvini – O que diria aos novos escritores na minha época? Rilke – Que encontrem a resposta para a seguinte pergunta: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Ou, ainda, “sou mesmo forçado a escrever?”. Se a resposta for afirmativa, se a resposta for “Sou”, que construam suas vidas de acordo com essa necessidade. Que suas vidas tornem-se, nos bons e maus momentos, um testemunho e uma reflexão dessa pressão. Qual a sua resposta, Pelvini?&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;&lt;br/&gt;RAFAEL PELVINI&lt;br/&gt;Tenho a incrível honra de apresentar para vocês o jovem Pelvini. Além de excelente exemplar da espécie humana, o olhar atento e a sensibilidade amalgamam  esse excelente escritor. O blog dele e pouso certo para qualquer alma que busque o aconchego ou o desconforto que só a boa literatura são capazes de instigar.&lt;br/&gt;Enviei a sugestão de texto, que se encontra logo no início, e após ver o resultado só posso agradecer.&lt;br/&gt;Se você está entre os admiram quanta coisa não se pode criar quando se juntam menos de 3 dezenas de letras - símbolos vazios quando solitários -, não perca esse link: &lt;a href=&quot;http://www.pelvini.com/&quot;&gt;pelvini.com&lt;/a&gt; !</description>
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      <title>Aniversário da Marina</title>
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      <pubDate>Sat, 4 Jul 2009 20:16:10 -0300</pubDate>
      <description>Em nosso grupo de amigos tem uma menina que todo mundo ama muito. É a Marina. O vídeo aqui em cima é a edição do que aconteceu no aniversário dela, depois de muita reflexão e criatividade! hahaha Acontece que essa garotinha inoxidável - que não se enferruja, como diria o Cícero -, essa garotinha helps, estrogonoficamente sensível - sim, todos esses termos são do Cícero -, essa garotinha marcou de ir ao cinema com todos nós na mesma hora em que nós iríamos fazer uma festa surpresa pra ela.&lt;br/&gt;Não há motivo para pânico! Se ela quer marcar de ir ao cinema no shopping mais chique da cidade justo nessa hora, a gente leva a festa surpresa até ela.&lt;br/&gt;Pagamos mico por você, estava escrito em um dos cartazes. Bolas de soprar também fizeram parte da brincadeira, enquanto os seguranças olhavam tudo com uma cara de “what the hell is going on!?” (tradução livre: que diabos está acontecendo por aqui?).&lt;br/&gt;Outro cartaz, sábio, dizia: Para béns e para marina! Algumas pessoas não entendem, pois envolve um raciocínio analógico muito complexo.&lt;br/&gt;Sem mais delongas, o filme está aí! Curtam essa incrível ideia de festa de aniversário surpresa, em pleno shopping independência, aqui em Juiz de Fora City.</description>
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